ASSOMBRAÇÃO – SACI PERERÊ

Você acredita em Assombração? Em Saci Pererê? Não?

Todo mundo já ouviu a história da “lenda do Saci Pererê”, aquela mesma, de um menino negro de uma perna só, short e gorro vermelhos e o seu tradicional cachimbo na boca. Aquele que faz mil brincadeiras com tudo e com todos, amarra a crina e o rabo dos cavalos, faz uma ventania muito forte aparecer do nada, esconde coisas, bota para correr da floresta quem não respeita a natureza, e que muitas vezes dá uma surra bem forte nas pessoas. Você acredita nisso?

E se a gente dissesse que não é lenda? E se a gente contasse um caso verdadeiro, acontecido nas matas de Vargem Grande, lá pros lados do Quilombo Cafundá Astrogilda, você acreditaria? Isso mesmo, em plena cidade do Rio de Janeiro, e poucos anos atrás!

Então vamos aos fatos, e contra fatos, não há argumentos.

Alguns anos atrás o Paulinho, morador nascido e criado nos morros de Vargem Grande, acostumado a escutar todas as histórias de assombração que os antigos contavam, conhecedor de todas as lendas da região, íntimo dos caminhos dos morros de Vargem Grande, estava andando pela floresta indo até a casa da sua sogra para fazer uma visita, porém, chegando lá, ela não se encontrava em casa, mas Paulino ganhou um presente, um palmito dos grandes, do seu cunhado. Presente é sempre bem-vindo, e um palmito dos grandes então …

Todo feliz e carregando o seu presente, Paulinho voltava para sua casa, em dado momento avistou a sua sogra do outro lado da margem do rio, então, assoviou para chamar sua atenção e falar com ela, se cumprimentara, e isso já era noite, o escuro já tinha tomado conta da floresta, ele continuou sua caminhada, ainda tinha muita trilha pra descer, mais uns 50 metros à frente, o mesmo assovio que ele havia dado “retorna” muito próximo, ao seu lado,, Paulinho continua andando achando que alguém no mato estava querendo lhe pregar um susto, mas já ficando atento, mais à frente ainda, onde tem uma gruta e onde tinha caído uma barreira, tinham umas plantas chamadas de “arranha gato”, que tem como característica ter muitos espinhos, arranhando muito o corpo da pessoa que encosta em seus galhos, ninguém se atreve a passar por ela, nessa hora Paulinho já sente que tem alguma coisa estranha, mas tem que continuar a caminhada de volta, então quando chega em um bambuzal à sua direita, e ele lembra muito bem que era bambu amarelo, o assovio vem mais forte ainda, e passa por ele uma grande ventania, coisa estranha, uma ventania muito localizada, fazendo um caminho, a floresta toda calma e esse vento passando pelas plantas “arranha gato”, balançando tudo, e indo direto para o bambuzal.

Nessa hora não tem homem que não sinta medo, o arrepio forte pelo corpo todo, a sensação de que algo de ruim vai acontecer a qualquer momento, a vontade imensa de somente de sair dali e chegar em casa, o desespero chegando. Esse tempo do percurso do bambuzal até chegar em casa pareceu uma eternidade, Paulinho tão acostumado a fazer esse mesmo trajeto, desconfiava que estava diferente, mais longo do que realmente era.

Quando Paulinho finalmente chegou em casa, sem não ter falado com ninguém ainda, sem nenhuma palavra ter saído de sua boa, sua mãe quando o vê lhe faz logo a seguinte pergunta “você foi assombrado?”. Como ela sabia? Que segredos existem por trás disso? Como será que estava o estado de Paulinho?

Agora um detalhe muito importante nessa história toda, isso se deu em um dia santo, numa quinta-feira, véspera da sexta-feira santa, onde não se podia varrer casa, pentear os cabelos, e muitas outras proibições, para não atrais coisa ruim, trazer o mal pra perto, e muito menos ASSOVIAR. Tradições dos antigos, que sempre contaram muitos causos dessa natureza, da desobediência aos dias santos que acabavam trazendo má sorte.

Como o negócio era muito sério e perigoso, chamaram uma rezadeira das mais experientes do lugar para cuidar do caso, Dona Dorinha, respeitada por seus vastos conhecimentos das coisas do corpo e da alma, do mundo físico e metafísico, teve que rezar o Paulinho por três dias seguidos, das rezas mais fortes e certeiras, provando que quem acredita e tem fé, supera todo e qualquer tipo de mal, tirando assim a assombração do nosso Paulinho.

Depois de todo o ocorrido, das rezas de Dona Dorinha, de acalmar seu espírito, de passado os momentos de sufoco, mas sem nenhum machucado, ele teve a certeza de que era o Saci que estava ali naquele momento com ele, der ter se apresentado, e apesar de terem muitos relatos de casos de o Saci fazer maldades com as pessoas, Paulinho, que nada sofreu, além do susto imenso, afirma que os dois viraram bons amigos, que se respeitam e respeitam a floresta, que os dois tanto protegem. E de vez em quando ele ouve um assovio mais manso, lembrando a ele que existem sim os Encantados nas florestas. Que são forças da natureza que habitam esses locais.

E para todos que quiserem ouvir do próprio Paulinho essa história fantástica, é só subir o morro, na direção das cachoeiras de Vargem Grande, perguntando para os moradores onde encontrá-lo, se tiver em um dia de sorte, vai cruzar com essa figura adoravelmente marcante, aí não tem que ficar com vergonha ou dúvida, é só você pedir, ele com toda certeza vai narrar essa epopeia, com toda riqueza de detalhes.

Paulinho e Saci, nós amamos vocês!

Sejam todos muito mais que bem-vindos, Vargem Grande recebe a todos de braços abertos!

Texto originalmente escrito para a Revista Digital Vargem Grande RJ

ps1.: o que menos importa aqui é se você acredita nessa história, ou se crê em assombração, nossa missão é contar o que ouvimos!

ps2.: nós acreditamos piamente em tudo o que foi escrito!

ps3.: A foto é um painel da ilustração com as figuras do Paulinho carregando seu palmito, a Rezadeira e o nosso Saci (arte maravilhosa feita pelo Matheus Branqs), na entrada da casa do Paulinho e sua esposa Tati!

ps4.: Perfis no Instagram @vargemgrande_rj @ paulinhosaci @matheusbranqs @cantinho_do_sossego021

Mural do Paulinho Saci
Mural do Paulinho Saci
Mural do Paulinho Saci
Mural do Paulinho Saci

Add a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *